sábado, 19 de abril de 2008

ii - Imprópria

Na adolescência minha mãe acreditava que eu era uma menina muito nervosa, ansiosa demais. Eu roía as unhas sem cerimônias, mas o motivo era muito diverso. Soubesse ela que unhas compridas machucavam quando eu me masturbava pensando em outras meninas, ou que quando comecei a tocá-las, e a ser tocada, percebi o quanto era importante ter as pontas dos dedos mais lisos...

Ah, o tempo... Não sei dizer no que ela acredita hoje... Se apenas finge não ver o óbvio, ou se pensa que sou só mais uma dessas mulheres tristes e bem-sucedidas. Uma quarentona sem filhos e família que trocou tudo pela carreira e pra parecer mais um homem que a filha que dá netos. Eu, parecendo um homem? Certo.

Gosto dos homens, geralmente do jeito que são. Quantas vezes já não fui procurada por ter aquilo que nenhum homem jamais terá? Nem tenho conta pra isso. Carinho e cumplicidade, saber o que fazer na hora certa. Não é coisa para homens, sejamos sinceras.

Há! Tenho esse sério problema, não? De me perder nas lembranças quando estou transando. Nossa! Preciso dar um jeito nisso. Não que seja ruim lembrar as coisas, ou pensar um pouco nesse momento, mas, sei lá... É estranho!

Tá, Vivian, pensa no que estava fazendo agora, mulher! Ela já vai voltar da cozinha... Mas, também, você tinha que derramar a garrafa de vinho?

... e como não? Ela me ergueu no balcão (menina atrevida!), a mão debaixo das minhas saias, explorando a Branca todinha (tá, você tem um nome pra vagina, e daí? Não vá pensar nisso agora, mulher!). E que beijo, garota! Fui perdendo o ar, quase desfalecendo, segurando os seios excitados de menina nova. Eu ia gozar ali, sem nem sentir mais que um pouco de pele da garota, e pumba! A garrafa ao chão, meu vestido todo manchado! Ai que ódio!

Clara foi toda prestativa; foi atrás das coisas de limpeza, me mandou pra cama e não deixou que eu fizesse mais nada. Obedeci! Adoro essas manias de meninas de controlarem a situação que não precisa de controle, ficam tão lindas, e sérias. Antes de me deixar partir, ainda me pegou por trás, tocando-me e me beijando. Que louca!

Agora estou aqui, que não sei se espero apenas, ou se me preparo para qualquer coisa; se mostro o quanto a Branca está cheia de tesão por essa doidinha...

Ai, Clara, Clara. Se sua mãe soubesse que você sobe pra meu apartamento pra fazer muito mais que conversar sobre o estágio no escritório... Doidinha.

Hum... Aqui vem ela, só de avental, né? Sabia que tava pensando em algo. Vem cá, roça em mim, roça! Deixa eu te sentir molhada. Toca, brinca! Hora da tia Vivian mostrar algumas coisas...

i - Fragmentos

Não sei bem dizer o momento. Sei que um dia meus olhos notaram que as saias escondiam mais sabores que as calças. Esse pensamento sempre me ocorre quando estou assim, sozinha, olhando e procurando uma companhia (porque sempre, sempre atraio quem não quero).

A princípio era difícil me livrar dos chatos, mas a experiência foi moldando o comportamento. Hoje a noite era outra, entretanto. Senti quando entrei. Já tinha atraído um olhar sem esforço e, tigresa, com este meu ar de solitária, devolvera o cumprimento.

Lembro-me sim do primeiro beijo. Um horror! Aula de educação-física, a Mara. Éramos amigas, ela dizia coisas, eu disfarçava... queria ser normal, como a Patrícia, a Luana. Muita culpa. Um beijo e três dias de cama, doente.

Dou uma passeada, saio de meu lugar, mostro-me... É sim, sei o que quero. Lá vem o olhar. Não é só olhar, né, garota? Ah! Está me convidando, sentou-se no bar! Menina decidida, adoro-as também. Aposto que até pagar minha bebida vai, não? Romântica.

A primeira transa foi sem culpa. Já tinha me afundado em mim. Os garotos eram bobos, fediam. Não entendia como funcionava essa atração entre o sexo oposto. Ângela era o nome dela. Não era bonita, gostava de me provocar – fomos apaixonadas, ela rasgou a camisa do uniforme. Não esperava aquilo! Um perfume que me deixava frágil e louca ao mesmo tempo. Uma confusão de lábios, de saliva, de gostos. Ela quis que eu assumisse; não assumi. Brigamos, cada uma para um lado. Eu tinha ambições.

Paula, ela me diz... morde o canto da boca, roça-me as pernas. Oferece-me um cigarro. Hoje aceito tudo, querida. Fala da música, do Campari, do perfume. Dou corda, gosto da timidez fingida. Ela coloca a mão em minha coxa, deixo; conversamos mais próximas.

Conheço o tipo. Quer me levar, mora perto. Deixo tudo. Dirige com a mão me tirando um gemido, outro... carro automático. Esperta! Beijo longo na frente do prédio enquanto esperamos o portão. Outro mais molhado na garagem, sinto-lhe quente, úmida, estou pulsando. Somos comportadas no elevador.

A primeira namorada veio na faculdade, terceiro ano. Luísa. Linda de morrer, rebelde, provocante. Todas as fantasias... engolia o mundo em meus seios. Afogávamos os dias em nossas camas; república. Casa de moças, proibiam rapazes. Achávamos ótimo! Mas terminou logo; peguei-a com outra. Foi minha primeira humilhação, nada é perfeito.

Talvez esse rabo empinado! Ai, estou falando besteira, tô pensando mais besteiras ainda, não sei! Ai que me arrepia essa língua! Botão a botão, ela quer dominar. Estagiária ou trainee, quase certeza. Isso garota! Deixa a saia, não me despe, pega assim, por trás! Brinquedos? Por que não? Como fala meu nome bonito:

- Vivian! Vivian! Vivian!

2.

Mari pulou rapidamente da cama redonda, como uma ratinha cega seguindo o flaustista de Hamlin em direção à morte.

Ju a esperava sentada no box do banheiro com aquele sorriso sedutor de tirar o fôlego. Agachada, de pernas abertas, deixava a água escorrer pelos cabelos louros, contornando os seios generosos e brancos, coloridos com manchinhas roxas (consequência das brincadeiras anteriores). Ela parecia se deliciar com a cachoeira artificial sobre sua cabeça.

- Ju... desculpa te trazer nessa espelunda, sem banheira...
- Relaxa, Sapinha, vem cá! - Disse ela, levantando-se e estendendo a mão para a amiga.

Ao olhar para os bicos rosados, que se assemelhavam a duas torneiras pingando água, Mari sentiu sede. Ju abraçou-a pela cintura e a beijou. Mari retribuiu, mas não conseguia pensar em outra coisa, senão tocar, beliscar e abocanhar o par de seios hipnóticos.

Mari chupava os seios de Ju que por sua vez, massageava devagar o clitoris de Mari, sem penetrar-lhe os dedos. Conforme a excitação da amiga, Ju aumentava o ritmo da massagem, arrancando da outra, gemidos de prazer e agonia.

Mari adorava gozar em pé. A intensidade do orgasmo fora tamanho, que ela não conseguiu suportar o peso do corpo e escorregou pela parede até o chão. Estava exausta, mas Ju, insaciável, acomodou-se entre as pernas de Mari, numa posição 69, e sugou o gozo da amiga. Só sossegou depois de gozar na boca cansada da morena, que não tinha forças sequer para engolir a própria saliva.

- Você está babando, Sapa! É uma sapinha, mesmo! – comentou Ju, rindo.

Mari queria parar o tempo e evitar a despedida, mas o fim era inevitável e ela só desejava não ter que ouvir “aquilo” que detestava... “Dela não, por favor... Dela, não...” – pensava, olhando para as teias de aranha que enfeitavam o teto do banheiro.

- Sapinha, essa noite foi maravilhosa, você é uma tentação... mas tenho que ir pra casa, meu marido já deve estar maluco...
- Tudo bem, Ju. Eu te levo em casa. Assim que eu conseguir levantar...
- Sabe... meu marido e eu temos vontade de transar com outra mulher... ele vai te adorar, tenho certeza. Você é muito gostosa.
- Ju, eu sou lésbica, não gosto de homem, linda. – disse, com um nó na garganta.
- Ahhh... que pena...

Aconteceu outra vez... sempre que saía com uma bissexual, a história se repetia. Sempre sentia-se usada, pois no fundo, elas só queriam testar a possibilidade de um ménage para apimentar a relação com seus homens. Com Ju não havia sido diferente. Era hora de colar os caquinhos e se conformar.

1.

Mari tinha preferência por mulheres mais velhas porque eram mais permissivas, fogosas e experientes, então convidou a Ju para um drink. Ela aceitou o convite, mas logo foi dizendo que não queria compromisso sério com mulheres, que não era lésbica e que buscava apenas sexo casual e alguma novidade.


Dona de uma risada gostosa, aceitou o cigarro que Mari colocou entre seus lábios. Beberam um pouco no mesmo copo e sedutora, Ju apelidou carinhosamente a amiga de sapinha por causa dos seus olhos grandes, úmidos e redondos. Já na primeira investida de Mari, Ju cedeu ao beijo. Beijou gostoso e demorado, provocando a outra ao máximo com a língua e com as mãos. Sentiu calor e ruborizou, excitada.


Maliciosa, aceitou ir para o carro e não fez objeção quando teve o seio macio tocado, beijado, lambido e chupado pela garota afoita. Estava gostando e demonstrava querer mais. Ousou conferir a excitação de Mari com os dedos, arrancando-lhe gemidos e longos suspiros. Mari estava muito molhada e aqueles beijos deixavam-na louca!


"Se não convidá-la para ir para a cama posso até ofendê-la. Imagina o seu rosto de decepção se eu lhe perguntasse: quer que eu a leve para casa ou você prefere ir a minha, conhecer a minha mãe? Um absurdo! ela ficaria traumatizada, se sentiria rejeitada e lembraria de mim como uma menina tola e inexperiente que a desprezou."


Mari beliscou o seio de Ju e chamou-a de gostosa. Levou um tapinha na cara, de brincadeira. Ju gostava de sexo selvagem e deu a entender que estava pronta. Mari afastou-a para ligar o rádio.


– calma, linda... já volto para seus braços, vou colocar uma música romântica.


O rosto de Ju se iluminou com um sorriso encantador. Ela se rendeu definitivamente.


- Eu adoro essa música! você é uma sapinha maravilhosa! maravilhosa! Encheu-a de beijinhos e mordidinhas pelo pescoço. Desconcertada, Mari fez o convite:


– Amor, por que não vamos para um lugar mais sossegado, você está me deixando num estado que... - Ju achou graça e interrompeu-a com uma mordida nos lábios.

Em seguida, abaixou a cabeça, levantou a saia da amiga e com o rosto entre as pernas dela, disse:
- Podemos ir... dirige aí, me leve aonde quiser!


“Safada, mordeu minha boca! que delícia... agora ela está fazendo a mesma coisa com os outros lábios... mordendo e chupando... aiii... Calma, Mari... você é uma boa motorista, você é uma... Aiiiiii...ÓTIMA motorista... puta que pariu... aiii... Virgem Santa! O quê??... ai, isso não... Ohhhhh... sim... sim... diminuo a velocidade ou acelero?? Meu Deus... ahhhhhh... que boca... que língua...”

Chegaram ao motel e Mari se esbaldou no corpo gostoso de Ju. Fez o que quis e o que fora obrigada a fazer. Nunca havia espancado ninguém antes, mas gostou de brincar de Domme...


Noite perfeita, Ju era uma mulher incrível, talvez Mari a convidasse para sair novamente no próximo final de semana, mesmo correndo o risco de levar um fora...


– Vou tentar, quem sabe? Falou com pesar, enquanto escutava Ju, urinando no banheiro do motel. Riu do barulhinho da urina.


- Que porra! Eu não posso me apaixonar por essa mulher! Mas por que o tilintar do seu xixi no vaso sanitário tem que ser tão lindo?


- O que você está falando aí, Sapinha? - gritou Ju.


- Nada, Amor... estou sonhando alto... mija logo! Já estou com saudades!


- Vem aqui! vem! - tive uma idéia.


(continua)